José Dias de
Melo nasceu na Calheta do Nesquim, ilha do Pico, a 08 de Abril de 1925, e, além
da carreira de professor primário, foi colaborador assíduo da imprensa regional
e nacional e um profundo conhecedor da temática baleeira e da emigração.
No anos 50 do
século passado, inicia o seu percurso literário, com um livro de poesia
intitulado "Toadas do Mar e da Terra", a que se seguiram outros, com
destaque para o seu best-seller "Pedras Negras", que foi publicado,
pela primeira vez, em 1964.
Em
reconhecimento do contributo do escritor para o panorama literário português, o então Presidente da República, Mário Soares, condecorou-o com a Ordem do Infante, e
também foi homenageado pelas Lajes do Pico com o título de Cidadão Honorário do
concelho.
Recentemente, o escritor foi homenageado pelo Governo Regional dos Açores com o lançamento de uma nova
edição da trilogia das obras do autor - "Pedras Negras", "Mar
Rubro" e "Mar P'la Proa".
Os vencedores do 2.º ciclo da iniciativa do Departamento Curricular de Línguas - A Semana de Sophia de Mello Breyner Andresen -, que decorreu entre os dias4 e 8 de
junho, teve os seguintes vencedores da turma do 5.ºA:
- Carlota Maria Oliveira Brilhante Raposo;
- Henrique Miguel Marques Raposo;
- Maria Antónia Tavares Rodrigues;
- Rafaela Filipa da Câmara Silva Esteves.
Os vencedores do 3.º ciclo foram quatro alunos do 7.ºA, a saber: Henrique Moniz (nº 9), Letícia Ferreira (nº 11), Melissa Ponte (nº 16) e Pedro Oliveira (nº 17). A equipa chama-se “Os sábios”.
No passado dia 31 de maio, encerrou-se o ciclo do presente ano letivo de "O livro da minha vida", que contou, como orador convidado, com o Dr. António Rocha, professor e presidente da Assembleia da nossa escola, pretendendo-se assim simbolicamente culminar esta iniciativa, com o titular deste importante cargo escolar, exatamente na data em que a EBI de Arrifes perfez o seu 26.º aniversário.
Perante uma plateia constituída por quatro turmas do 3.º ciclo do ensino básico e docentes, o convidado apresentou não um, mas dois livros que o marcaram, pela mensagem que contêm nas suas linhas e entrelinhas.
Começando por destacar a obra "Há vida em mim", do médico pediatra Nuno Lobo Antunes, sobre quem referiu os principais dados biográficos, e de quem destacou a sua capacidade para prender a atenção das pessoas, António Rocha assinalou o crescendo da proximidade afetiva e relacional que o leitor vai sentindo, em que começa a ser tratado por um mais distante "você" até, com a evolução da relação autor/leitor (e num paralelismo com a nossa vida), ao mais próximo "tu", do livro que nos (re)conhece. No livro, Lobo Antunes faz uma retrospetiva da sua história como clínico, tendo cada capítulo a curiosidade de se apresentar comno um dia da semana, como um diário. Registou o orador que este livro é «delicioso, devendo a sua leitura ser saboreada, viajando os nossos sentidos para longe, sentindo-nos seus atores, atrizes ou mesmo coautores". Terminando esta primeira parte com a citação "Não me posso queixar porque ha vida em mim", quis o palestrante evidenciar o valor supremo que é a vida.
Posto isto, passou à apresentação do livro "Vida sem limites", de Nick Vujicic, livro autobiográfico deste autor, que nasceu com múltiplas deficiências motoras, e em que explica os ensinamentos que a sua condição humana lhe conferiu. O autor, que descreve na primeira pessoa a sua vida, entendeu sempre superar as muitas dificuldades que se lhe foram deparando, concebendo que outros podiam estar pior que ele, e que a melhor maneira de as ultrapassar seria decompor as grandes dificuldades em pequenas, encontrar pequenos objetivos e dar pequenos passos.
Como nos refere Nick Vujicic, neste seu testemunho da força de vontade, é necessário tomar decisões e agir, agarrando oportunidades, ultrapassando dificuldades e, assim, crescendo. Parafraseando ainda o autor, uma vida com significado é aquela em que temos uma necessidade de autoavaliação permanente.
Finalizou António Rocha a sua apreciada e participada preleção citando o título de um capítulo da obra "Ama o teu imperfeito como eu amo o meu", exortando os participantes a, sem máscaras e sem vergonha, serem capazes de ultrapassar as dificuldades e respeitar-se e ao próximo. A este propósito, houve ainda tempo para refletir sobre a leitura de uma passagem do livro: "quando caíres com a cara no chão não deixes que esta crie raízes", que antecedeu o visionamento do filme "Seja forte".
Encerrou-se a sessão com a distribuição, por cada um dos assistentes, de um marcador de livros produzido pelo palestrante, contendo uma exemplar citação deste livro, tendo Fernando Marques Fernandes, em seu nome e da colega Dra. Susana Melo Costa, agradecido a disponibilidade e louvado a forma como o convidado apresentou esta sessão, culminando com chave de ouro o ciclo deste ano letivo.
O dia 13 de junho de 1888 fica marcado pelo nascimento de Fernando Pessoa, poeta de destaque das letras portuguesas, poeta maior do modernismo literário de língua portuguesa e pensador inquietante... É conhecido pela sua singular criação de heterónimos, dos quais se destacam Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro como sendo os mais importantes.
(13/6/1888-30/11/1935)
O poema que a seguir apresentamos é atribuído ao ortónimo, ou seja, é assinado pelo próprio autor e não por algum dos seus heterónimos. Está incluído na sua memorável obra Mensagem (que faz parte do acervo da Biblioteca da escola).
"MAR PORTUGUÊS
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."
O dia 10 de junho celebra a figura de Luís de Camões, Portugal e as suas Comunidades, espalhadas pelo mundo inteiro. Lembramos agora aqui um soneto deste escritor português que cantou epicamente a pátria lusa n' Os Lusíadas, obra bastante conhecida dos alunos do 9.º ano de escolaridade.
(1525-1580)
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía."
Em comemoração do Dia Mundial dos Oceanos, propomos-te a leitura da obra poética de Sophia de Mello Breyner Andresen, uma das vozes nacionais que mais cantou o mar na sua poesia. Na Biblioteca encontras várias obras desta escritora.
(1919-2004)
Ficam aqui alguns dos seus versos mais conhecidos sobre este tema...
"Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim. A tua beleza aumenta quando estamos sós. E tão fundo intimamente a tua voz Segue o mais secreto bailar do meu sonho Que momentos há em que eu suponho Seres um milagre criado só para mim."