7 de novembro de 2012

Manuel Ferreira





Manuel Ferreira, jornalista e escritor português, nasceu em Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel, Açores, a 29 de Janeiro de 1916 . Além de jornalista, destacou-se também como ficcionista, biógrafo e historiador.
Após concluir o Curso Geral dos Liceus, Manuel Ferreira começou a trabalhar como funcionário dos Serviços Municipalizados de Abastecimento de Água da Câmara Municipal de Ponta Delgada, chegando a chefe daqueles serviços.
Além do seu trabalho como funcionário público, dirigia também uma exploração agropecuária, que orientou durante mais de quarenta anos. Apesar dessas ocupações, começou também a trabalhar simultaneamente, a tempo parcial, como jornalista. Em 1937, com apenas 21 anos, começou a sua carreira jornalística como redator do Correio dos Açores. Após três anos, já era chefe de redação daquele jornal, onde ficou até 1943.
Anos mais tarde voltou novamente ao jornalismo, tendo passado primeiro três anos pelo Açoriano Oriental, como chefe de redação. Depois, de 1964 até 1975, esteve também na chefia do Correio dos Açores.
A partir da segunda metade dos anos 70, quando deixou de ser funcionário e jornalista profissional, dedicou-se inteiramente à escrita e à investigação, embora continuasse a colaborar no Açoriano Oriental.


O conto O Barco e o Sonho, publicado em 1979 pela editora Publiçor, com sucessivas reedições, constitui a sua primeira obra de ficcionista. O realizador José Medeiros, da RTP-Açores, adaptou a obra para uma série televisiva com o mesmo título. Essa narrativa de Manuel Ferreira baseava-se na aventura de dois açorianos, Victor Manuel Caetano e Evaristo Silva, relatada nos jornais açorianos dos anos 50, que conseguiram atravessar o Atlântico Norte, num pequeno barco por eles próprios construído, rumo aos Estados Unidos, destino sonhado pelos emigrantes açorianos.

Lúcia Gomes

José Dias de Melo




José Dias de Melo nasceu na Calheta do Nesquim, ilha do Pico, a 08 de Abril de 1925, e, além da carreira de professor primário, foi colaborador assíduo da imprensa regional e nacional e um profundo conhecedor da temática baleeira e da emigração.
No anos 50 do século passado, inicia o seu percurso literário, com um livro de poesia intitulado "Toadas do Mar e da Terra", a que se seguiram outros, com destaque para o seu best-seller "Pedras Negras", que foi publicado, pela primeira vez, em 1964.


Em reconhecimento do contributo do escritor para o panorama literário português, o então Presidente da República, Mário Soares, condecorou-o com a Ordem do Infante, e também foi homenageado pelas Lajes do Pico com o título de Cidadão Honorário do concelho.
Recentemente, o escritor foi homenageado pelo Governo Regional dos Açores com o lançamento de uma nova edição da trilogia das obras do autor - "Pedras Negras", "Mar Rubro" e "Mar P'la Proa".

Lúcia Gomes


4 de julho de 2012

A Semana de Sophia


Os vencedores do 2.º ciclo da iniciativa do Departamento Curricular de Línguas - A Semana de Sophia de Mello Breyner Andresen -, que decorreu entre os dias 4 e 8 de junho, teve os seguintes vencedores da turma do 5.ºA: 

- Carlota Maria Oliveira Brilhante Raposo;
- Henrique Miguel Marques Raposo;
- Maria Antónia Tavares Rodrigues;
- Rafaela Filipa da Câmara Silva Esteves.

Os vencedores do 3.º ciclo foram quatro alunos do 7.ºA, a saber: Henrique Moniz (nº 9), Letícia Ferreira (nº 11), Melissa Ponte (nº 16) e Pedro Oliveira (nº 17). A equipa chama-se “Os sábios”.


14 de junho de 2012

"O livro da minha vida": 5.ª sessão, com António Rocha

















No passado dia 31 de maio, encerrou-se o ciclo do presente ano letivo de "O livro da minha vida", que contou, como orador convidado, com o Dr. António Rocha, professor e presidente da Assembleia da nossa escola, pretendendo-se assim simbolicamente culminar esta iniciativa, com o titular deste importante cargo escolar, exatamente na data em que a EBI de Arrifes perfez o seu 26.º aniversário.

Perante uma plateia constituída por quatro turmas do 3.º ciclo do ensino básico e docentes, o convidado apresentou não um, mas dois livros que o marcaram, pela mensagem que contêm nas suas linhas e entrelinhas.

Começando por destacar a obra "Há vida em mim", do médico pediatra Nuno Lobo Antunes, sobre quem referiu os principais dados biográficos, e de quem destacou a sua capacidade para prender a atenção das pessoas, António Rocha assinalou o crescendo da proximidade afetiva e relacional que o leitor vai sentindo, em que começa a ser tratado por um mais distante "você" até, com a evolução da relação autor/leitor (e num paralelismo com a nossa vida), ao mais próximo "tu", do livro que nos (re)conhece. No livro, Lobo Antunes faz uma retrospetiva da sua história como clínico, tendo cada capítulo a  curiosidade de se apresentar comno um dia da semana, como um diário. Registou o orador que este livro é «delicioso, devendo a sua leitura ser saboreada, viajando os nossos sentidos para longe, sentindo-nos seus atores, atrizes ou mesmo coautores". Terminando esta primeira parte com a citação "Não me posso queixar porque ha vida em mim", quis o palestrante evidenciar o valor supremo que é a vida.

Posto isto, passou à apresentação do livro "Vida sem limites", de Nick Vujicic, livro autobiográfico deste autor, que nasceu com múltiplas deficiências motoras, e em que explica os ensinamentos que a sua condição humana lhe conferiu. O autor, que descreve na primeira pessoa a sua vida, entendeu sempre superar as muitas dificuldades que se lhe foram deparando, concebendo que outros podiam estar pior que ele, e que a melhor maneira de as ultrapassar seria decompor as grandes dificuldades em pequenas, encontrar pequenos objetivos e dar pequenos passos.

Como nos refere Nick Vujicic, neste seu testemunho da força de vontade, é necessário tomar decisões e agir, agarrando oportunidades, ultrapassando dificuldades e, assim, crescendo. Parafraseando ainda o autor, uma vida com significado é aquela em que temos uma necessidade de autoavaliação permanente.

Finalizou António Rocha a sua apreciada e participada preleção citando o título de um capítulo da obra "Ama o teu imperfeito como eu amo o meu", exortando os participantes a, sem máscaras e sem vergonha, serem capazes de ultrapassar as dificuldades e respeitar-se e ao próximo. A este propósito, houve ainda tempo para refletir sobre a leitura de uma passagem do livro: "quando caíres com a cara no chão não deixes que esta crie raízes", que antecedeu o visionamento do filme "Seja forte".

Encerrou-se a sessão com a distribuição, por cada um dos assistentes, de um marcador de livros produzido pelo palestrante, contendo uma exemplar citação deste livro, tendo Fernando Marques Fernandes, em seu nome e da colega Dra. Susana Melo Costa, agradecido a disponibilidade e louvado a forma como o convidado apresentou esta sessão, culminando com chave de ouro o ciclo deste ano letivo.



Os livros



O filme




13 de junho de 2012

Sobre as efemérides...

      O dia 13 de junho de 1888 fica marcado pelo nascimento de Fernando Pessoa, poeta de destaque das letras portuguesas, poeta maior do modernismo literário de língua portuguesa e pensador inquietante... É conhecido pela sua singular criação de heterónimos, dos quais se destacam Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro como sendo os mais importantes.

(13/6/1888-30/11/1935)

      O poema que a seguir apresentamos é atribuído ao ortónimo, ou seja, é assinado pelo próprio autor e não por algum dos seus heterónimos. Está incluído na sua memorável obra Mensagem (que faz parte do acervo da Biblioteca da escola).

"MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."

10 de junho de 2012

Sobre as efemérides...

      O dia 10 de junho celebra a figura de Luís de Camões, Portugal e as suas Comunidades, espalhadas pelo mundo inteiro. Lembramos agora aqui um soneto deste escritor português que cantou epicamente a pátria lusa n' Os Lusíadas, obra bastante conhecida dos alunos do 9.º ano de escolaridade.

(1525-1580)

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía."